Giraldi 

 


           “MÉTODO GIRALDI” ®

“TIRO DEFENSIVO NA PRESERVAÇÃO DA VIDA”, “MÉTODO GIRALDI”,

E SUA “DOUTRINA PARA A ATUAÇÃO ARMADA DA POLÍCIA E DO POLICIAL

COM A FINALIDADE DE SERVIR E PROTEGER A SOCIEDADE E A SI PRÓPRIO” ®

APRESENTAÇÃO

Autor- Cel PMESP Nilson Giraldi

(Registrado e publicado – Direitos autorais reservados)

 

Publicado também na revista “A Força Policial” da PMESP

 

 

Com metodologia, patrocínio, e apoio do “Comitê Internacional da Cruz Vermelha”, através de Comissão Especial Oficial de especialistas da área por ele nomeada, este documento integrou, de forma transversal, os “Princípios da Carta da ONU para o Assunto”; as “Sete Normas Internacionais de Direitos Humanos Aplicáveis à Função Policial e Função Policial Armada”; as “Diretrizes Internacionais de Direito Internacional dos Direitos Humanos”; as “Convenções e Tratados Internacionais” dos quais o Brasil é signatário; tendo sido aprovado, sem qualquer ressalva, e integralmente, por estar, totalmente, e nos seus mínimos detalhes, de acordo com os seus conteúdos, determinações e normas.

            Orgulho para nós brasileiros; nenhum outro do mundo chegou a tanto.

Está, também, totalmente de acordo com as “Leis”, a “Realidade” e a “Política Policial” Brasileira. Com as dificuldades financeiras da maioria das Polícias Brasileiras.

 

 

 

         . Segurança Pública (super resumo)

Para dar segurança à população existe a segurança pública.

Mas, afinal, que é segurança pública?

Segurança pública é tudo aquilo que é feito para dar segurança ao cidadão.

E segurança pública não é só polícia como imaginam muitos. Segurança pública é uma corrente com mais de 60 elos, todos transversalizados e dependentes uns dos outros. A Polícia é apenas um desses elos. E “Nenhuma corrente é mais forte do que seu elo mais fraco”.

E segurança pública é obrigação da União, dos Estados, dos Municípios, da Sociedade e das Pessoas. E segurança pública não é política de governo, mas de Estado. E segurança pública não é questão policial penal; é questão social educacional, embora a polícia esteja nela inserida.

Para entender melhor que é segurança pública e polícia basta imaginar um time de futebol. Cada jogador representa um elo da segurança pública com suas responsabilidades e obrigações; todos transversalizados e dependentes uns dos outros. O “goleiro” é a polícia, a última barreira. O técnico é o Estado. A bola é o delinquente. Pode o “goleiro” (polícia) jogar sozinho?

E quais seriam os outros jogadores (elos) que constituem o time da segurança pública?

Muitos, entre os quais podemos citar:- “Justiça em todos os sentidos” (justiça traz paz; injustiça traz revolta e violência). “Combate às causas da violência e da criminalidade” (sem esse combate a polícia estará enxugando o chão com as torneiras abertas; ela não atua nas causas, mas nas consequências). “Leis Penais e Processuais” (sem leis à altura das necessidades da sociedade a polícia e a justiça não terão sustentação do seu trabalho). “Punidade” (a impunidade é o maior incentivo à violência e à criminalidade. No nosso país só 1% dos autores de homicídios, roubos e estupros cumpre pena). “Prevenção” (sua falta estimula o crime e a violência). “Álcool” (álcool e violência caminham de mãos dadas. 22% da população brasileira bebem álcool em excesso, isto é, são alcoólatras). “Sistema criminal” (tem que ser ágil, rápido, eficiente; o do País é velho, ultrapassado, anacrônico; não funciona). “Sistema Carcerário” (necessita ser moderno, eficiente. Infelizmente, no País, também é velho, ultrapassado, anacrônico; não funciona).  “Ressocialização do condenado” (a pena não é para punir o condenado, mas para ressocializá-lo, do contrário voltará a cometer crimes). “Número de vagas carcerárias necessárias” (sem isso os presídios serão meros depósitos de presidiários). “Investimento social e educacional” (sem esse investimento jamais haverá uma boa sociedade. Polícia não constroi uma boa sociedade; quem constroi uma boa sociedade são as famílias, investimentos sociais e educação). “Prefeituras” (levando água, luz, esgoto, galerias pluviais, calçadas, guias, asfalto, limpeza pública, iluminação pública, esporte, cultura, lazer, educação, também à periferia a fim de dar autoestima à população; não fornecendo alvará para locais geradores de violência, etc.). “Transformação de bairros problemáticos em Bairros Educadores” (onde todos os esforços públicos e privados são unificados para promover o capital humano dos moradores desses bairros). “Famílias e lares sólidos” (a família é a célula mater da sociedade. Sociedade doente é conseqüência de famílias doentes). “Investimento em segurança pública” (sem investimentos suficientes em todos os setores que constituem a segurança pública jamais haverá uma segurança pública eficiente). “Progressão da pena” (raramente o condenado cumpre mais de 1/6 da pena; sai, e volta à criminalidade). “Regime semiaberto” (a lei é falha para a sua concessão; 90% dos beneficiados não voltam para as prisões; permanecem nas ruas cometendo crimes). “Indulto” (por falha na lei também é concedido a muitos que não o merece; a quase totalidade já sai das prisões cometendo novos crimes). “Liberdade condicional” (por falhas nas leis também é concedida a quem não merece; o beneficiado, na quase totalidade das vezes, já sai cometendo novos crimes). “Reincidência” (a do Brasil é a mais alta do mundo). “Magistrados e promotores de justiça em número suficiente” (sua falta paralisa milhões de processos que ficam mofando nas prateleiras dos tribunais). “Inclusão da segurança pública na área de conhecimento e pesquisa” (tem que ser transdisciplinar; é essencial para o aperfeiçoamento da segurança pública). “Diagnósticos importantes” (sem esses diagnósticos jamais se terá uma boa segurança pública). E muitos outros “jogadores”. Todos relacionados à segurança pública, mas nenhum da responsabilidade da polícia (do goleiro).

Cada jogador que não cumpre suas obrigações sobrecarrega o goleiro (a polícia). O goleiro (a polícia) sozinho não vai a lugar algum. Mas esse goleiro (polícia) também precisa ser constantemente treinado e aperfeiçoado. O goleiro (a polícia) é conseqüência do seu treinamento correto.

         . Ambiente de trabalho da Polícia Brasileira

            Pelo fato de tratarem a segurança pública sempre da mesma forma, isto é, como questão policial penal, e não como questão social educacional, é que o Brasil acabou se transformando no país mais violento do mundo. “Fazer a mesma coisa esperando resultados diferentes é insanidade (Einstein).

O mundo tem uma media de 6 assassinatos para cada grupo de 100 mil pessoas por ano. A média do Brasil é de 28.

Portanto, a Sociedade Brasileira convive com o quadro de maior violência do mundo, donde se conclui que a Polícia Brasileira trabalha dentro do quadro de maior violência do mundo; e ambas são vítimas dessa violência. 

A cada 14h um policial brasileiro é assassinado em serviço sem contar os que, também vítimas dos agressores, vão terminar seus dias numa cadeira de rodas ou amparados por um par de muletas. Isso não ocorre em nenhum outro país.

Policiais de países de primeiro mundo, que tomam contato com essa violência, afirmam que não teriam condições de atuar aqui, e que não sabem como o Policial Brasileiro consegue.

E, mantido o atual quadro, a tendência dessa violência, como um todo, é aumentar. E face ao descrédito nas soluções em torno de 60% da população querem que o policial “mate o bandido”; estímulo perigosíssimo para o policial que se deixa contaminar.

. Diretrizes básicas e fundamentação filosófica do “Método Giraldi”

            Face ao meio violento em que atua, o Policial Brasileiro tem que usar arma de fogo para servir e proteger a sociedade e a si próprio. E arma de fogo não é enfeite, é ferramenta de trabalho para ser usada, dentro da Lei, com a finalidade de preservar vidas inocentes, incluindo a do policial. Só que, às vezes, ao invés de auxiliar, atrapalha. Assim, pode-se dizer que:-

            As maiores crises de uma polícia ocorrem quando suas armas destinadas a servir e proteger a sociedade se voltam contra a sociedade.

            A maior desmoralização do Estado ocorre quando as armas dos seus agentes destinadas a servir e proteger a sociedade se voltam contra a sociedade.

            O maior desrespeito que se comete contra os Direitos Humanos ocorre quando a arma do policial ao invés de servir e proteger a sociedade se volta contra a sociedade.

            A maior causa da morte de policiais, em serviço, ocorre quando não sabe usar sua arma de forma correta para se proteger.

            A maior causa a perda da liberdade do policial, em serviço, ocorre quando não sabe usar sua arma de forma correta acabando por provocar vítimas inocentes, ou atingindo pessoas contra as quais não havia necessidade de disparos.

            Portanto, um só fato, que é o uso da arma de fogo de forma incorreta, por parte do policial, provocando cinco tragédias distintas:- “Crises na polícia”, “desmoralização do Estado”, “desrespeito aos Direitos Humanos”, “morte do policial” e “perda da liberdade do policial”.

            Que fazer para que essas tragédias não continuem ocorrendo?

Treinamento correto! Treinamento não é gasto, é investimento!  Uma polícia é conseqüência do seu treinamento; da qualidade dos seus professores. Professores imbecis geram policiais imbecis que gerarão uma polícia imbecil; professores respeitosos geram policiais respeitosos que gerarão uma polícia respeitosa. É aqui que está o segredo para a construção de uma boa polícia.

O policial, nas ruas, é o Estado materializado servindo e protegendo a Sociedade; investir nele é investir no Estado, na sociedade e na própria polícia.

É através do policial que está na “ponta da linha” que a sociedade julga a instituição policial a qual ele pertence, e não pelo que ela tem ou executa na retaguarda. É necessário valorizar e investir nesse policial.

. Características de um confronto armado

Num confronto armado a morte está sempre presente. Tudo é medo, movimento, pânico, gritos, desespero. Só quem já foi envolvido por um tem ideia do que seja.

O agressor, traiçoeiramente e covardemente, com a iniciativa, representado o mal e a injustiça; atuando totalmente fora da Lei. A vida, para ele, não vale nada; o disparo é sua primeira alternativa. Sua arma é sinônimo de morte.

O policial, em reação, representando o Estado, representado o “bem”; encarnando a Lei e a Justiça, e munido do “poder de polícia”, tendo que atuar totalmente dentro da Lei. A vida para ele é prioridade; o disparo sua última alternativa com a finalidade de preservar vidas inocentes, incluindo a sua. Sua arma é sinônimo de vida.

Nessas ocasiões o policial tem (se é que tem) décimos de segundos para decidir se efetua o disparo; a Justiça, posteriormente, terá vários anos para concluir se o disparo foi necessário e correto.

Para entender essa situação basta comparar um jogo de futebol entre o time dos agressores e dos policiais, onde o time dos agressores pode tudo; não tem regulamentos nem regras para seguir; o time dos policiais tem que atuar obedecendo a regulamentos e regras.  E tem de ganhar o jogo! E se ganhar de 10 a 1 é derrota! (matou 10 agressores, mas morreu uma pessoa que não deveria sê-lo).  Zero a zero é vitória!

. Que sente o policial durante um confronto armado

Durante um confronto armado o policial sofre profundas alterações físicas e psíquicas que vão do medo ao pânico. O instinto de preservação da vida, existente em todos os animais, também se manifesta, de forma intensa, no policial, nessas ocasiões.

A adrenalina é jogada em tal quantidade no seu sangue que poderá provocar uma síncope. A pressão arterial dobra; os batimentos cardíacos triplicam.

A emoção e a reação são tão intensas que, normalmente, antecedem o raciocínio. A capacidade de raciocínio fica drasticamente reduzida.

Há um ponto no sistema nervoso central que bloqueia várias atividades do cérebro podendo provocar, entre outras coisas, aquilo que se chama de “visão de túnel” (o policial olha e não vê); o som chega e não ouve; travamento físico do corpo, total ou parcial; travamento mental, total ou parcial. As pernas tremem e ficam fracas; a pupila dilata; o estômago encolhe; o rosto adquire palidez cadavérica; suor frio; e outras conseqüências terríveis; podendo advir, daí, caso não tenha sido condicionado para o momento, provocar tragédias irreparáveis contra si e contra terceiros.

. Como preparar o policial para um confronto armado

Tendo uma idéia do que seja um confronto armado; como atua o agressor num confronto armado; e o que sente o policial durante um confronto armado; vem uma pergunta simples, lógica e direta:- “Como preparar o policial para esse instante?”

Importando a instrução de tiro das Forças Armadas, como sempre se fez? Não! Sua finalidade é destruir o inimigo; se possível, no momento em que ele menos espera, e isso está normal para elas, mas não para a polícia; polícia não tem inimigos.

Importando a instrução dos clubes de tiro? Não! Clubes de tiro praticam o tiro esportivo de competição. Possuem regras e alvos especiais para competições esportivas. Nada têm a ver com polícia.

Treinamento virtual? Não! É ilusório! Falso! O policial não tem como interagir com as cenas projetadas; ele está num mundo em três dimensões e as cenas em duas dimensões, projetadas numa tela plana à sua frente. Ele atua parado, apenas olhando a cena; quem se mexe é a câmara que a filmou; se progredir bate com a cara na tela. Alem disso o policial tem que treinar com o mesmo armamento, munição, equipamentos, com os quais trabalha ou irá trabalhar.

“Paint ball”? Não! Tambem usa equipamentos, armamentos e munições totalmente diferentes dos usados pelos policiais. É pura diversão.

As neurociências afirmam que treinar de uma forma e atuar de outra é tragédia na certa.

Qual seria a solução?

De acordo com especialistas internacionais a solução está no “Tiro Defensivo na Preservação da Vida”, que eles, e a PMESP, batizaram de “Método Giraldi”, em homenagem ao seu autor (Cel PMESP Nilson Giraldi). Esses especialistas consideram-no como o melhor existente no mundo para polícias.

“Tiro Defensivo na Preservação da Vida”. Qual a prioridade de vida?

Do policial, pois, ninguém dá o que não tem. Se uma pessoa não tem dinheiro não pode dar dinheiro; se não tem educação não pode dar educação; se não tem vida não pode dar vida.

A prioridade de vida seguinte é das pessoas inocentes; também daquelas contra as quais não há necessidade de disparos (agressoras).

. Doutrina

O “Método Giraldi” não é uma simples instrução de tiro, mas uma “Doutrina da Atuação Armada da Polícia, e do Policial, com a Finalidade de Servir e Proteger a Sociedade, e a si Próprio”, onde tudo aquilo que for possível solucionar sem uso da força, sem tiros, sem “bombas”, sem “invasões”, sem colocar em risco a vida e a integridade física das pessoas inocentes, assim o será. Mas se o disparo, como última alternativa, dentro dos limites da lei, tiver que ser efetuado, para preservar vidas inocentes, incluindo a do policial, assim também o será.

. Pilares básicos

Os pilares básicos do “Método Giraldi” são:- Violência, nunca! Tortura, jamais! Força, a necessária! Total respeito às Leis e aos Direitos Humanos. Para o agressor, a Lei!

Obs.:- Violência não acaba com violência; só faz aumentar.

         . Finalidades do “Método Giraldi”

Ensinar o policial a voltar íntegro ao seio da sua família após uma jornada de trabalho; e não para o necrotério, para uma cadeira de rodas ou para a prisão. Usar sua arma de fogo para servir e proteger a sociedade e a si próprio. Ensinar o policial a preservar a sua vida e a sua liberdade. Ensinar o policial a não provocar tragédias.

            Que sua arma de fogo só pode ser disparada em situações em que se torne necessário e indispensável; uma medida extrema; o último recurso.  Que isso só poderá ser feito quando for estritamente inevitável, e para proteger vidas inocentes, incluindo a sua.

 

. Praticidade, baixo custo, fácil aprendizado

            O “Método Giraldi” é extremamente simples, prático, barato, objetivo, lógico, de fácil aprendizado; ao gosto e respeito dos policiais. Pode ser feito em qualquer parte da mesma forma. Não exige local nem materiais sofisticados para a sua realização. Realista, sem demagogia; não deixa margem para qualquer tipo de acusação. Está à altura das necessidades da polícia, e do policial para servir e proteger a sociedade e a si próprio.

Apresenta extraordinária economia de munição, alvos e outros materiais, pois em torno de 90% dos exercícios são procedimentos; 10% disparos; existindo fases em que nenhum disparo é efetuado, apenas procedimentos, isto porque, na quase totalidade das vezes “procedimentos”, e não tiros, é que preservam vidas, a começar pela vida do policial, e solucionam problemas. Quando da instrução sob forma de “teatro”, que é o melhor, mais moderno e avançado sistema de instrução com arma de fogo para o policial, não há consumo de munição, alvos e outros materiais.

. O policial deve treinar para matar ou para não matar?

Nem uma coisa nem outra. O policial deve treinar para fazer cessar ação de morte do agressor contra a sua vítima.

Acertar braços e pernas? Demagogia! Utopia! Próprio de quem não tem a mínima ideia do que seja um confronto armado. Durante um confronto armado não há como escolher pontos de acerto no agressor; dispara-se na direção da sua silhueta. E o policial não dispara porque quer; é o agressor que, com sua atitude de morte contra a sua vítima, o obriga a fazê-lo. E esse disparo não tem como finalidade matá-lo, mas, conforme retro consta fazer cessar sua ação de morte contra a sua vítima. Sua morte poderá até ocorrer, mas essa não é a finalidade do disparo do policial.

. Quando o disparo do policial está dentro da legalidade?

Quando preenche os requisitos da “necessidade”, “oportunidade”, “proporcionalidade” e “qualidade”. Disparos efetuados dentro dessas circunstâncias jamais levarão seus autores a serem condenados por eles nos tribunais.

. Mudança de cultura

O “Método Giraldi” visa uma mudança de cultura na atuação armada das polícias e dos policiais com a finalidade de servir e proteger a sociedade e a si próprios:-

De uma cultura de polícia violenta; para uma cultura de polícia forte, mas não arbitrária.

De uma cultura do uso da arma de fogo para segurança do Estado; para uma cultura do uso da arma de fogo para segurança do cidadão.

De uma cultura de polícia absolutista; para uma cultura de polícia como empresa de prestação de serviços onde seus clientes são os integrantes da sociedade os quais tem que ser tratados com respeito e educação. Para o agressor a lei.

De uma cultura de teorias e mais teorias em salas de aula; para uma cultura de treinamento prático semelhante aquilo que o policial encontrará nas ruas.

De uma cultura de morte importada da instrução de tiro das Forças Armadas; para uma cultura de preservação da vida, a começar pelado policial. Para o agressor, a Lei!

De uma cultura onde tudo era resolvido com “invasão”, tiros, bombas, com risco de morte de pessoas inocentes e do policial; para uma cultura de “negociação” preservando a vida de inocentes, do policial, e a prisão do agressor.

De uma cultura de disparar contra pessoas em atitude suspeita; para uma cultura de “verbalização”.

De uma cultura onde “sacou tem que atirar”; para uma cultura do disparo como última alternativa para preservar a vida de pessoas inocentes, incluindo a do policial.

De uma cultura de disparos a esmo provocando “balas perdidas” e vítimas inocentes; para uma cultura do disparo com segurança sem provocar “balas perdidas” e vítimas inocentes.

De uma cultura de “precipitação”, “valentia perigosa” e “amadorismo”; para uma cultura de paciência, inteligência, sabedoria e profissionalismo.

De uma cultura de constante desrespeito aos Direitos Humanos; para uma cultura de total respeito aos Direitos Humanos.

De uma cultura do uso da violência; para uma cultura do uso da força necessária.

De uma cultura onde o policial detestava instrução de tiro; para uma cultura onde é a matéria mais querida.

De uma cultura da truculência dos instrutores de tiro contra seus alunos gerando imbecis que, por sua vez geravam uma polícia imbecil; para uma cultura de respeito à dignidade dos seus alunos, gerando pessoas respeitosas que, por sua vez, gerarão uma polícia respeitosa.

Infelizmente essas culturas ultrapassadas ainda são comuns em quase todas as polícias do mundo.

         . Transversalidade

            Por iniciativa, apoio e patrocínio do CICV o “Método Giraldi”, através de equipe por ele nomeada, foi transversalizado, oficialmente, com os “Princípios da Carta a ONU para o assunto”; com a “Declaração Universal dos Direitos Humanos” (“DUDH”); com a “Convenção Americana Sobre Direitos Humanos” (“CADH”); com o “Pacto Internacional sobre os Direitos Civis e Políticos” (“PIDCP”); com a “Convenção contra a tortura e outros tratamentos ou penas crueis, desumanos ou degradantes” (“CCT”); com o “Código de Conduta para os Funcionários Responsáveis pela Aplicação da Lei” (“CCEAL”); com os “Princípios Básicos sobre a Utilização da Força e de Armas de Fogo pelos Funcionários Responsáveis pela Aplicação da Lei” (“PBUFAF”); pelo “Conjunto de Princípios para a Proteção de Todas as Pessoas Sujeitas a Qualquer Forma de Detenção ou Prisão” (“Conjunto de Princípios”); e com todos os tratados internacionais dos quais o Brasil é signatário.

            Nenhum outro método sobre o uso da força e da arma de fogo para polícias mereceu tamanha consideração até hoje.   

. Obediência

O “Método Giraldi” obedece, fielmente, os princípios da Carta da ONU para o assunto; do Comitê Internacional da Cruz Vermelha; dos Direitos Humanos (integrantes seus o estão divulgando, recomendando e ensinando internacionalmente); da Polícia Comunitária Internacional; das Leis, da Realidade e da Política Policial Brasileira; do respeito à dignidade das pessoas; das dificuldades financeiras da quase totalidade das polícias brasileiras; etc.

. Neurociências e Principais fundamentos do “Método Giraldi”

Todo o “Método Giraldi” está baseado nas neurociências. Tem como principais fundamentos os reflexos condicionados positivos, a serem obtidos pelo policial em treinamentos imitativos da realidade, com eliminação dos negativos, antes de se ver envolvido pelo fato verdadeiro.

E esse condicionamento se dará ensinando o policial a atuar, simuladamente, diante de todos os possíveis problemas, com necessidade do uso de arma de fogo (com ou sem disparos), que possa encontrar na vida real.

Leva em consideração que “não basta o policial saber o que tem que fazer; tem que estar condicionado a fazer”. “Não basta saber atirar; tem que saber quando atirar e saber executar procedimentos, isto porque, na quase totalidade das vezes procedimentos, e não tiros, é que preservam vidas e solucionam problemas”.

O policial não avançará na instrução enquanto não ficar condicionado a executar o exercício anterior de forma correta e sem dificuldades. Repetirá o exercício quantas vezes forem necessárias até atingir esse objetivo. O “Método Giraldi” trabalha em cima do erro do aluno. O erro não pode ficar na sua cabeça; só o acerto.

No “Método Giraldi” o aluno aprende ou... aprende.

. Qualidades exigidas do professor do “Método Giraldi”

O professor do “Método Giraldi” tem que ser modelo, exemplo e referência para seus alunos. As pessoas tendem a agir da mesma forma como são tratadas. Trate mal o policial que ele tratará mal a sociedade; trate bem o policial que ele tratará bem a sociedade.

Possuir amplo conhecimento e gostar da matéria. Saber ensiná-la. Capacidade para fazer o aluno aprender e gostar da matéria. Possuir grande experiência na atividade fim.

Para ensinar tem que ter paciência, insistência, persistência, respeito pelo aluno. Elogiar constantemente o aluno. O elogio provoca autoestima e autoconfiança, gosto pela matéria. Sem isso é impossível ensinar.

O professor do “Método Giraldi” é, antes de tudo, um educador. Tem a missão mais nobre de um ser humano na face da Terra que é ensinar seu semelhante a preservar a sua vida e a sua liberdade. Na vida há alguma coisa mais importante que a vida? Depois da vida a liberdade?

O treinamento tem que ser sério, mas humano. Ensino e relacionamento humano se completam.

Proibido todo e qualquer tipo de castigo físico e/ou psicológico, inclusive as tão famigeradas “flexões de braços”. Flexões de braços são para aulas de Educação Física.

            Falar com tom de voz moderado; calmo, claro; amigo. Ser alegre; humilde. Ter sempre uma mão amiga estendida para o aluno. Usar sempre palavras positivas, jamais negativas. Incentivar o aluno usando expressões como:- “---- Você vai conseguir; é só treinar; eu tambem não sabia”. Simplificar, ao máximo a instrução. “A simplicidade é a rainha da perfeição”.

. Quem pode atuar como professor do “Método Giraldi”

Só poderão atuar como “Professores do “Método Giraldi” policiais que fizeram (ou vierem a fazer) o curso diretamente com seu autor, ou com professores por ele preparados desde que sejam cursos oficiais onde tenha sido aplicado seu “Currículo Universal”. Os cursos não podem ter fins financeiros, com exceção dos recebimentos das aulas ministradas, previstos em normas próprias de cada instituição policial.

Quando o autor do “Método” participar, de alguma forma, da formação de professores para uma instituição policial, automaticamente, estará, também, autorizando essa instituição a usar o “Método”. Se, para uma maior garantia houver necessidade de autorização, por escrito, do autor, registrada em cartório, a mesma será fornecida, gratuitamente.

Isso está tudo registrado.

         . Exigências ao aluno 

            Ao aluno é exigido que tenha vontade de aprender a preservar a sua vida e a sua liberdade. A usar a sua arma de fogo de forma correta para servir e proteger a sociedade e a si próprio. Encarar a instrução com seriedade, e colaborar para o seu desenvolvimento. Estar sempre atento aos princípios de segurança. O aluno que assim não concordar deverá ser dispensado e deixar o local da instrução; o professor não pode perder tempo com esse tipo de aluno.

. O “Método Giraldi” não trata com policiais

O “Método Giraldi” não trata com policiais, mas com “homens policiais”; com “mulheres policiais”; com o “ser humano policial”, onde “homem ou mulher” são substantivos e “policial” é adjetivo.

Ser humano que chora, ri, sofre, tem dificuldades. Ama e é amado. É pai (mãe), filho (a), esposo (a), amigo (a). Tem família! Tem limitações! Tem dignidade! Não é uma máquina insensível como imaginam muitos. Não é alguém que vem do nada e volta para o nada como também muitos imaginam. Comete falhas como todos cometem. “Na vida só não falhou quem nunca viveu”. “VIDA = RISCO”.

. O erro é professor do acerto

Para o “Método Giraldi” o erro é professor do acerto. Tudo que o policial faz de errado no treinamento ele faria na vida real, mas, uma vez corrigido isso não mais ocorrerá. Assim, o policial erra no treinamento para não errar na vida real. “Morre” no treinamento para não morrer na vida real. “Mata inocentes” no treinamento para não matá-los na vida real. “Perde a liberdade” no treinamento para não perdê-la na vida real.

. Alguns capítulos especiais

Entre outros, o “Método Giraldi” possui os seguintes capítulos especiais:-

“Currículos universais para formar professores e usuários de qualquer instituição policial; também para civis especiais”. “Doutrina para atuação armada da polícia e do policial com a finalidade de servir e proteger a sociedade e a si próprio”. “Locais para instrução sem disparos reais”. “Treinamento sob forma de teatro”. “Evitando tragédias”. “Ocorrências com reféns, negociação, gerenciamento de crises”. “Acompanhamento de veículos suspeitos; cerco e abordagem”. “Abordagens gerais”. “Gradação do uso da força e da arma de fogo”. “Treinamento em pleno serviço”. “Investimento e valorização do policial”. “Os direitos humanos”. “Os direitos humanos do policial”. “Aproximação polícia povo”, E muitos outros.

 

. Algumas características do “Método Giraldi”

Tudo aquilo que for possível solucionar sem uso da força, sem “entradas”, sem tiros, sem bombas, por mais tempo que demore, assim o será. Mas, conforme já foi dito, se o disparo, como última alternativa, tiver que ser efetuado, com a finalidade de preservar vidas inocentes, incluindo a do policial, também assim o será.

Profissional, realista, sem demagogia.

Ensinar o policial a usar sempre a razão; não se deixar levar pela emoção.

Ensinar o policial a não se “precipitar”; a precipitação pode matar pessoas inocentes incluindo o policial; tirar a liberdade do policial.

Não praticar a “valentia perigosa”; é loteria; poderá transformar o policial num heroi, ou num defunto, ou num presidiário. E tudo que é loteria, quando está em jogo a vida humana, não deve ser tentado.

Que tem limites. A ultrapassagem desses limites pode custar a vida ou a liberdade do policial.

Não querer pegar o agressor de qualquer jeito colocando sua vida e a vida de pessoas inocentes em risco. Pedir apoio.

Não fazer da prisão do agressor uma questão pessoal ultrapassando seus limites de segurança colocando sua vida e a vida de pessoas inocentes em risco. Pedir apoio.

Não apontar a arma para pessoas inocentes; respeitar a dignidade das pessoas. Usar as posições de arma corretas nos momentos corretos (“sul”, “alerta” e de “tiro”).

Que arma de fogo sem procedimentos não vale nada. A segurança com a arma de fogo precede tudo.

Não disparar em agressor que estiver no meio do povo. Não disparar se houver pessoas inocentes na mesma linha de tiro. Manter-se abrigado; pedir apoio.

Não disparar se o projétil tiver chances de se tornar uma “bala perdida”. Não efetuar  “disparo de advertência”.

Não disparar em agressor que estiver usando sua vítima como escudo, inclusive no interior de veículos. Conter e isolar a ocorrência; dar início às negociações; pedir apoio.

Não disparar em veículos em fuga, incluindo motos; podem existir pessoas inocentes no seu interior, inclusive no porta malas. Pedir apoio. Fazer o acompanhamento.

Não disparar em veículo que romper bloqueio, incluindo motos; podem existir pessoas inocentes no seu interior, inclusive no porta malas. Pedir apoio. Fazer o acompanhamento.

“Verbalizar” sempre que for necessário. A primeira frase de uma verbalização é:- “---- Aqui é a polícia!” Depois, com voz educada, calma, bem pronunciada, audível, dizer o que deseja.

“Negociar” no caso de “reféns tomados” ou ocorrências semelhantes. Nessas ocasiões a vida e a integridade física da (s) vítima (s) precede (m) tudo; depois a prisão do agressor. Pedir apoio.

Valorizar os procedimentos. Atuar sempre protegido; não se expor. Na quase totalidade das vezes procedimentos, e não tiros, é que preservam vidas e solucionam problemas. Atuar sempre com “cobertura” de companheiros.

Não analisar as pessoas pela “cara”, mas pelas intenções. É nas mãos que está o perigo.

Como se relacionar e se aproximar da sociedade.

Que as armas infalíveis para o policial conquistar o respeito, a simpatia, e a colaboração da sociedade são a “educação”, o “sorriso”, a “humildade”, e o “profissionalismo”. Para o agressor, a lei!

. Currículo universal

O “Método Giraldi” possui “Currículo Universal” abrangendo todas as instituições policiais (federais, estaduais ou municipais), quer sejam uniformizadas ou civis. Abrange tambem civis especiais (magistrados, promotores de justiça, ouvidores, defensores públicos, políticos, jornalistas, integrantes da Receita Federal, organizações de Direitos Humanos, de estudo da violência, etc.). Esse currículo serve para todas as armas, independente da sua marca, modelo, calibre e munição.

. Desenvolvimento sumário do “Método Giraldi”

Primeira Etapa:- “Curso Básico” onde o aluno, entre outras coisas, aprende a atirar em todas as posições, situações, dificuldades e distâncias.

O alvo utilizado é o “PM–L–74”, de papelão, retangular, com uma zona central cinza e quatro zonas periféricas brancas. As zonas de acerto não têm pontuação pré definidas; serão estabelecidas e valorizadas de acordo com os objetivos da instrução.

Segunda Etapa:- “Pistas Policiais de Instrução” (PPI), simulações da realidade, com alvos de papelão, móveis, devidamente caracterizados como seres humanos (“amigos”, “neutros” e “agressores”) onde o aluno, orientado pelo professor, aprende a usar seu armamento e atuar (individualmente e em equipe) em todos os tipos de confrontos armados, com necessidade ou não de disparos. Comum a todos os policiais.

A instrução desenvolve-se em pistas de instrução, montadas ou naturais, representando todos os tipos de ocorrências possíveis de serem encontradas pelo policial na vida real. As pistas tem sonorização (barulho de tiros, bombas, sirene, gritos, etc.). Tempo de execução igual a uma ação real.

Posteriormente os alvos de papelão são substituídos por seres humanos verdadeiros e, com uso de simulacros de armas de fogo pintados de amarelo ou azul, a instrução é feita sob a forma de “teatro”, tendo os policiais como “atores”, quando todos os desdobramentos possíveis da ocorrência são treinados (com alvos de papelão, mesmo móveis, isso não é possível).

Terceira Etapa:- “Pistas Policiais Especiais” (PPE), simulações especiais da realidade, também com alvos “amigos”, “neutros” e “agressores”, móveis, devidamente caracterizados como seres humanos, obedecendo aos mesmos princípios da “PPI”.

Destinadas a preparar policiais para execução de serviços especiais, ou em locais especiais, como:- ações táticas; ações táticas especiais; choque; operações especiais (exemplo:- reintegração de posse de áreas e locais invadidos, etc.); policiamento rodoviário; policiamento ambiental; policiamento montado; policiamento com motos e bicicletas; rádio patrulhamento aéreo; escoltas; guarda de presídios; atuação em favelas, morros, palafitas, estações (metrô, rodoviária, ferroviária); divertimentos públicos, segurança de dignatários; serviço velado; serviço reservado; etc.

Quarta Etapa:- “Pistas Policiais de Aplicação” (PPA), também simulações da realidade, com os mesmos tipos de alvos da “PPI” e “PPE”, onde o aluno (individualmente e em equipe), sem conhecimento prévio do que irá encontrar pela frente; com o fator surpresa sempre presente, como ocorre na vida real e, sem qualquer orientação do professor, aplica todos os conhecimentos anteriormente adquiridos. Tempo de execução idêntico ao de uma ação real.

Quinta Etapa:- “Manutenção do armamento, munição e equipamentos”. Nesta etapa, que não precisa ser feita nesta ordem (pode ser antes), o policial aprende a fazer a manutenção e a conservação do armamento, munição, equipamentos, e demais materiais sob sua responsabilidade, com a finalidade de poder usá-los, com segurança, em caso de necessidade.

            Sexta Etapa:- “Investimento e Valorização do Policial”. Trata de tudo aquilo que, fora da instrução prática de tiro, possa se relacionar ou influir na atuação armada do policial em defesa própria e da Sociedade. Ensina o policial a estar de bem com a vida; ter amor pela vida; ter paz.

            Outras etapas:- Todas fundamentais para o policial servir e proteger a sociedade e a si próprio.

         . Treinamento virtual e com “paint ball”

            Não servem como treinamento para o policial.

Treinamento virtual, conforme já foi retro explicado, é ilusório, falso. O policial não tem como interagir com as cenas projetadas; ele está num mundo em três dimensões e as cenas em duas dimensões projetadas numa tela plana à sua frente. Ele atua parado, apenas olhando a cena; quem se mexe é a câmara que a filmou; se fizer uma progressão bate com a cara na tela. Num treinamento verdadeiro o policial tem que estar atento a tudo que se passa num ângulo de 360 graus à sua volta como ocorre na vida real, tendo que se movimentar em equipe; progredir; regredir; verbalizar; negociar; fazer tomadas de ângulo; olhadas rápidas através de janelas, portas, cantos de muro; usar obstáculos naturais para se proteger; subir e descer escadas; ter sempre sua retaguarda e laterais “cobertas” pelos companheiros; e inúmeras outras situações. Instruções que exijam movimentação individual, ou em equipe, dos executantes, como natação, futebol, ciclismo, corridas, bombeiros, atuação armada do policial, etc., não tem como ser treinadas virtualmente. Alem disso o treinamento virtual usa armamentos, munições, e equipamentos totalmente diferentes dos usados pelos policiais.  

“Paint ball”? Não! Tambem usa equipamentos, armamentos e munições totalmente diferentes dos usados pelos policiais. É pura diversão.

As neurociências afirmam que treinar de uma forma e atuar de outra é tragédia na certa.

O policial tem que treinar com o mesmo armamento, munição, equipamentos e circunstâncias com os quais trabalha ou irá trabalhar, conforme prevê o “Método Giraldi”. Treinar de uma forma e atuar de outra é tragédia na certa. Há extensos estudos científicos, baseados nas neurociências, que comprovam esse fato.

         . Como saber se o policial está em condições de atuar armado em defesa da sociedade e própria.

A única forma de saber se o policial está em condições de atuar armado em defesa da sociedade e própria é avaliando a sua atuação nas “Pistas Policiais de Aplicação” (PPA).

            Nessas pistas, imitativas da realidade, sem saber o que irá encontrar pela frente, sempre surpresa, como ocorre na vida real, o policial aplica todos os conhecimentos anteriormente adquiridos.

            Caso cometa algum erro será imediatamente interrompido, pelo professor, e ensinado no procedimento que errou, antes de avançar na execução da pista. 

O erro cometido pelo policial, nessa avaliação, seria cometido na vida real, mas, uma vez corrigido e aprendido a executá-lo de forma correta e sem dificuldades, isso não mais ocorrerá.

. Súmulas de avaliação

Durante o desenvolvimento dos cursos, com qualquer arma, para formar “usuários” ou “professores”, o aluno é constantemente avaliado no seu comportamento e aprendizado. Essas avaliações são registradas em súmulas específicas, as quais, posteriormente, serão anexadas aos seus assentamentos.

. Uniforme, armamento, munição equipamentos para o treinamento

O treinamento é feito com o policial usando o mesmo uniforme, armamento, munição, equipamentos, e circunstâncias idênticas às que poderá encontrar na vida real. Treina da mesma forma como trabalha ou irá trabalhar. Treinar de um jeito e atuar de outro é tragédia na certa.

Esses são, conforme já foi retro esclarecido, alguns dos motivos pelos quais o “treinamento virtual”; também com “paint ball”; etc., não serve para preparar o policial com a finalidade de usar sua arma de fogo para servir e proteger a sociedade e a si próprio.

Obrigatoriamente alunos, professores, auxiliares, e possíveis assistentes estarão com colete balístico, plaqueta de identificação, protetor ocular e auricular. Sem isso a instrução não poderá ser desenvolvida.

.  Características dos locais de treinamento

            O local onde o “Método Giraldi” é treinado, por mais simples que seja, chama-se “Centro de Treinamento na Preservação da Vida”. 

Por que não estande de tiro? Porque estande de tiro é o local onde as Forças Armadas treinam para matar o inimigo; a hora que ele menos espera. Polícia não tem inimigo. Tambem é o local onde se pratica o tiro esportivo de competição; nada tem a ver com polícia.

O “Método Giraldi” não exige locais de treinamento sofisticados; para a sua aplicação basta um simples barranco para contenção de projéteis. Qualquer local que ofereça segurança, principalmente na absorção de projéteis, serve para a instrução do “Método”.

              Locais externos, com árvores, arbustos, obstáculos, veículos, elevações e depressões do terreno, buracos, barrancos, muros, construções, vielas,  etc., poderão ser aproveitados como pistas da forma como se encontram ou com pequenas adaptações para desenvolvimento do treinamento sob forma de “teatro Para atuar nesses locais aluno e professor não usarão qualquer tipo de munição (nem no corpo); usarão simulacros de armas de fogo pintados de azul ou amarelo.

. Instrução sob forma de “teatro”

Na instrução sob forma de “teatro” os alvos de papelão serão substituídos por seres humanos verdadeiros. Será feita no interior das pistas, e fora das pistas. Com ou sem uso de viaturas. Aproveitando o que já existe no terreno, ou se fazendo pequenas adaptações. A montagem da “peça”, por parte do professor, deverá estar de acordo com as finalidades e objetivos do “Método Giraldi”.

A instrução sob forma de “teatro” é a mais perfeita forma de treinar o policial para usar sua arma de fogo com a finalidade de servir e proteger a sociedade e a si próprio. Não gasta munição, alvos, ou outros materiais. Poderá ser executada em qualquer lugar, até no interior de salas. Os “atores” são os próprios policiais, travestidos de agressores, neutros, e, naturalmente, policiais.

Durante a instrução sob forma de “teatro”, dentro e fora das pistas, serão usados simulacros de armas de fogo (plástico, madeira, isopor, etc.) pintados de amarelo ou azul. Não existindo, o revólver será usado sem o tambor; a pistola sem o ferrolho e cano; metralhadora portátil, idem; armas longas, idem; ou o dedo indicador estendido como se arma fosse.

Durante a instrução sob forma de “teatro”, em hipótese alguma será usada qualquer tipo de munição (real, festim, “paint ball”, cera, borracha, etc). Caso exista necessidade de disparos estes serão simulados com a boca:- “Pum!”, “pum!”; ou por outro meio.

         . Treinamento em pleno serviço (ou instrução continuada)

            A última etapa do “Método Giraldi” é o “Treinamento em Pleno Serviço”. Considerada por especialistas internacionais como uma verdadeira “obra prima” com a finalidade de avaliar, aperfeiçoar e consolidar a capacidade do policial para servir e proteger a sociedade e a si próprio.

            Não gasta materiais nem munição. Não prejudica a folga do policial nem o serviço.

            Consiste em preparar ocorrências policiais simuladas, com necessidade do uso da arma de fogo (com ou sem disparos), no interior ou pátio de qualquer OPM (ou outro local), e convocação de guarnições que estão de serviço, nas ruas, para solucioná-las, como se reais fossem. Sempre surpresa para as guarnições, embora estejam a par desse tipo de treinamento. Realizada sob forma de “teatro”.

            Exemplo de uma ocorrência simulada:- Quando a guarnição chega ao local é recebida pelo professor que montou o “teatro”. Este recolhe o armamento e munição da guarnição. Entrega-lhe simulacros de armas de fogo pintados de amarelo ou azul. Não existindo entrega revólver sem tambor; pistola sem o ferrolho e o cano (só a armação).

            Em seguida, como se fosse um informante comum, diz, por exemplo, ao comandante da guarnição:- “---- Vi pessoas armadas, a pé, entrarem naquele local”. No local apontado já se encontram “atores” representando agressores e outras pessoas.

            Dali para frente é com a guarnição que não sabe o que irá encontrar.

            O professor acompanha de perto a atuação da guarnição anotando, na súmula, todos os seus erros e acertos. Ao final reúne a guarnição comentando sua atuação, e permitindo que ela tambem o faça. Após ensinar a guarnição de como executar corretamente os erros cometidos (se ocorreram), determina que a mesma repita essa fase, quantas vezes forem necessárias, até que as execute de forma correta e sem dificuldades. Todos os erros cometidos pela guarnição, nessa ocorrência simulada, seriam tambem cometidos caso fosse verdadeira; mas, uma vez corrigidos, caso a encontrem na vida real, isso não mais ocorrerá.

            Não mais havendo qualquer dúvida finaliza devolvendo as armas e a munição da guarnição levando-a, em seguida, para tomar um cafezinho, lanche e água, após o que a guarnição regressará ao seu serviço normal.

            O “treinamento em pleno serviço” será executado em dias e horários com poucas ocorrências policiais verdadeiras; inclusive aos sábados, domingos, feriados, à noite, etc.

            Excepcionalmente o “Treinamento em Pleno Serviço” poderá ser feito com disparos reais, desde que a OPM possua um “Centro de Treinamento na Preservação da Vida” em condições; alvos todos de papelão, representando seres humanos; e em “Pistas Policiais de Aplicação” (PPA) conforme foi retro explicado; neste caso jamais sob forma de “teatro”.

. Investimento e valorização do policial

O “Método Giraldi” também se preocupa com a parte humana e particular do policial existindo, nele capítulo especial denominado “Investimento e Valorização do Policial” onde trata de tudo aquilo que, fora da instrução prática do uso da força e da arma de fogo, possa se relacionar ou influir na sua atuação armada em defesa própria e da sociedade, cujo objetivo principal é fazê-lo ter amor pela vida; estar de bem com a vida; ter paz. Entre outras coisas lhe é ensinado:- Como se relacionar com a esposa, filhos, pais, amigos, com os membros da sociedade. Que fazer para ter uma família bem estruturada e harmoniosa. Como amar e ser amado. Como educar os filhos. Convivência pacífica com seus semelhantes. Como ter, ou manter, saúde física e mental. Alimentação. Exercícios físicos. Exercícios de relaxamento. Como administrar o estresse. A química do corpo conduzindo as emoções do ser humano. A importância da dignidade (maior bem não material do ser humano); dos ideais; da autoestima; da autoconfiança; da humildade (maior virtude do ser humano; sem ela todas as outras virtudes desaparecem). Que fazer com as coisas que não concorda. Como mudar comportamentos. Educação sexual. E tudo aquilo que é necessário para estar de bem com a vida, ter amor pela vida, estar em paz. De nada adianta o policial ter uma boa instrução para usar sua arma de fogo para servir e proteger a sociedade, e a si próprio, se não estiver de bem com a vida.  

. Resultados quando aplicado na vida real

Estatísticas comprovam que, quando aplicado na vida real, o “Método Giraldi” reduz em mais de 95% a morte de policiais em serviço (os outros quase 5% são as fatalidades quase impossíveis de serem evitadas). Reduz em 100% a morte de pessoas inocentes provocadas por policiais em serviço; também daquelas contra as quais não há necessidade de disparos (agressores). Reduz em 100% a perda da liberdade do policial em virtude do uso incorreto da sua arma de fogo.

Por exemplo:- Antes da aplicação do “Método” de cada dez ocorrências policiais com “refém tomado”; ou “seqüestro relâmpago”; ou qualquer situação em que o agressor usa sua vítima como “escudo” ou “salvo conduto”, em nove, quando da ação da polícia, a vítima morria ou era atingida em sua integridade física

Com a aplicação do “Método” esse índice é reduzido a “zero”:- Vítima ilesa; agressor preso; polícia aplaudida, policial regressando íntegro ao seio da sua família.

        Quem aprende e aplica corretamente o “Método Giraldi”, e sua “Doutrina para a Atuação Armada da Polícia, e do Policial, com a Finalidade de Servir e Proteger a Sociedade, e a si Próprio”, não comete erros, ou provoca tragédias.

. Aprovação

       O “Método Giraldi” tem aprovação, unânime, de todos os policiais brasileiros e estrangeiros, magistrados, promotores de justiça, integrantes das Forças Armadas, políticos, jornalistas, e outros, que fazem seu curso.

Escolhido para ser ministrado nos “Seminários Latinos de Direitos Humanos” patrocinados pelo “Comitê Internacional da Cruz Vermelha”, destinados a policiais professores de toda a América Latina. Também nos cursos de Direitos Humanos. Único a merecer tal consideração, distinção e reconhecimento.

Atualmente, cursos de “Direitos Humanos” que não ministrem o “Método Giraldi” são considerados incompletos. Chegaram à conclusão que só a teoria, de salas de aula, sobre “Direitos Humanos”, sem o “Método Giraldi”, não é suficiente. Inclusive a imprensa e TV têm destacado esse fato.

Patrocinado pela Secretaria Nacional de Segurança Pública (SENASP), o “Método” foi ministrado para representantes de todas as Polícias Brasileiras (Federal, Rodoviária Federal, Civis e Militares), com a finalidade de formar professores. Dez cursos; 330 alunos.

No processo de avaliação desses cursos, por parte dos alunos, o resultado, sem exceção, tem sido sempre “superior com louvor” (nota máxima). Tudo devidamente registrado.

Centenas de reportagens (jornais, revistas, TV, etc) já foram feitas elogiando o “Método”.

O “Método Giraldi” e seu autor já receberam dezenas de homenagens, inclusive do exterior.

         . Como aprender o “Método Giraldi”

            A única forma de aprender o “Método Giraldi” é fazendo o curso. Não há apostila, teoria, livros, projeções, salas de aulas que o ensine. É totalmente prático. É como futebol, natação, ciclismo, etc., só se aprende praticando. Parte do princípio de que “o que eu ouço eu esqueço; o que eu vejo eu lembro; o que eu faço eu aprendo”.

         . Só policiais podem fazer curso do “Método Giraldi”?

            Não! Tambem magistrados, promotores de justiça, autoridades, jornalistas, ouvidores, procuradores gerais de justiça, defensores públicos, políticos, integrantes de organizações relacionadas aos Direitos Humanos e segurança pública, e outras categorias especiais. E isso tem ocorrido com freqüência com enorme aprovação.

. Registro, patente, publicação, autorização de uso, gratuidade

O “Método Giraldi”, e todos os seus complementos, incluindo doutrina, manuais, currículos, alvos, “barricadas de treinamento”, figuras, etc., estão registrados, patenteados e publicados. Direitos autorais reservados. Embora seu autor (Cel PMESP Giraldi) já tenha gasto em torno de R$130.000,00 (cento e trinta mil reais) do seu bolso, para o seu desenvolvimento, sem qualquer ressarcimento, está à disposição de todas as polícias e policiais de forma gratuita, desde que sem alterá-los ou plagiá-los, no todo ou em parte; é crime fazê-lo, e desde que citem a origem:- “Método Giraldi”; é de Lei. De acordo com suas palavras seu grande pagamento são as centenas de vidas, incluindo de policiais, que estão sendo preservadas com sua aplicação.

. Rapidez da implantação do “Método” numa instituição policial

A rapidez da implantação do “Método” numa instituição policial dependerá de vários fatores, principalmente do seu efetivo e apoio dos seus responsáveis, mas, sempre, demorará algum tempo até atingir todos os seus integrantes.

Não é o fato de uma instituição policial adotá-lo que já estará em condições de aplicá-lo, de imediato. Haverá necessidade da adoção do “Currículo Universal”; da formação dos professores necessários; locais para desenvolver a instrução; alvos; materiais; munição; instruir todo o seu efetivo como usuário do “Método”; mudar toda uma cultura; etc., e isso demandará certo tempo; mas é o caminho correto.

         . Segurança com a arma de fogo

            Da mesma forma que carro não guia, mas é guiado, arma não dispara, mas é disparada, e para ser disparada o dedo tem que estar no gatilho. O policial evitará tragédias mantendo o dedo fora do gatilho; o dedo só vai para o gatilho no momento do disparo; efetuado o disparo volta para a sua posição normal que é estendido junto à armação da arma. Cano voltado sempre para direção segura.

            Não se aponta arma para pessoas inocentes.

         . Arma de fogo é sinônimo de segurança para o policial?

            Não! Os cemitérios estão cheios de policiais que acreditavam nisso; também sobre as cadeiras de rodas e as prisões. Arma de fogo, isoladamente, provoca mais problemas que soluções.

            Arma de fogo para ser sinônimo de segurança tem que estar aliada a procedimentos. Arma de fogo sem procedimentos não vale nada; é tragédia na certa.

            Esse é o motivo pelo qual durante todo o desenvolvimento do “Método Giraldi” arma de fogo e procedimentos caminham juntos; lado a lado; entrelaçados; jamais isolados.

         . Melhor arma de porte para o policial

            De acordo com estudos feitos por duas comissões, uma abrangendo policiais do Estado de São Paulo, e outra abrangendo policiais de todo o Brasil, a melhor arma de porte para o policial é a pistola Glock, modelo 22, de calibre .40 S&W, de origem austríaca. De preço inferior às nacionais.

 

 

Nilson Giraldi

 

Especialista em “Segurança Pública e Polícia”

Professor – Educador – Assessor – Consultor – Cel PMESP

Autor do “Método Giraldi”

 

 (Esta matéria está registrada ® e publicada. Direitos autorais reservados. No caso do uso  do todo ou de parte do seu conteúdo tem que ser feita referência ao seu autor; é de Lei)

 


 

“Sete Normas Internacionais de Direitos Humanos Aplicáveis à Função Policial e Função Policial Armada para Defesa do Cidadão”

 

 

1. Declaração Universal dos Direitos Humanos - Sigla: “DUDH”

2. Convenção Americana Sobre Direitos Humanos - Sigla: “CADH”

3. Pacto Internacional sobre os Direitos Civis e Políticos - Sigla: “PIDCP”

4. Convenção contra a tortura e outros tratamentos ou penas cruéis, desumanos ou degradantes - Sigla: “CCT”

5. Código de Conduta para os Funcionários Responsáveis pela Aplicação da Lei - Sigla: “CCEAL”

6. Princípios Básicos sobre a Utilização da Força e de Armas de Fogo pelos Funcionários Responsáveis pela Aplicação da Lei - Sigla: “PBUFAF”

7. Conjunto de Princípios para a Proteção de Todas as Pessoas Sujeitas a Qualquer Forma de Detenção ou Prisão - Sigla: “Conjunto de Princípios”